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Neste último domingo, 27, a cantora e compositora norte-americana, Beyoncé, fez sua primeira apresentação em cinco anos desde a última aparição televisiva. A 94ª cerimônia do Oscar aconteceu como de costume no Teatro Dolby, em Los Angeles e a abertura ficou sob responsabilidade de Queen Bey.



Ela, com suas dançarinas e a filha Blue Ivy em figurinos tom verde neon, surgiu na quadra de tênis onde Serena e Venus Williams treinavam quando crianças, na cidade de Compton, Califórnia. Sendo sua performance um dos assuntos mais comentados da noite!


A canção Be Alive, interpretada/composta por Beyoncé e DIXSON, concorria à categoria de Melhor Canção Original, pelo filme King Richard: Criando Campeãs. O filme retrata a infância e juventude das irmãs Williams, treinadas pelo seu pai.


Richard Williams é um pai dedicado e determinado a tornar suas filha lendas do esporte. Com métodos pouco tradicionais, ele cria duas das maiores atletas de todos os tempos.

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De acordo com o The Sun, Beyoncé será a produtora do remake de Imitação da Vida (ou em inglês, Imitation Of Life).

Ainda segundo o jornal britânico, ela quer a atriz Zendaya, conhecida por trabalhos como a série Euphoria, para o papel principal do novo longa-metragem. As duas inclusive já estariam conversando a respeito.


“Este filme é renomado no mundo do cinema por causa dos problemas que abordou e agora eles parecem mais relevantes do que nunca,” disse a fonte.

Lançado no ano de 1934, sua importância deve-se às críticas raciais, de classe e de gênero. Na história, acompanhamos uma atriz viúva, que perde sua filha na praia. Quem a encontra é a afrodescendente Annie Johnson, contratada como governanta. As duas mulheres estabelecem uma sólida amizade, enquanto lidam com os problemas das suas filhas.

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A performance de Beyoncé no Grammy Awards 2017 trouxe muito mais reflexões do que o esperado. A trajetória dessa cantora, além de construir seu legado, vem consolidando importantes aprendizados e lições para as novas gerações. A bandeira que Beyoncé vem levantando, utilizando-se de sua influência global, vem se tornando forte e notável.


Após “revelar-se” negra no álbum visual, Beyoncé revela-se mulher. Embora tenha trabalhado sua sensualidade e poder feminino a carreira toda, e ter curtido sua primeira maternidade em 2011/2012, ela agora mergulha no conceito do sagrado feminino.

Como uma Virgem Maria (nada mais justo, uma vez que já foi diva, rainha, agora só resta ser deusa), ela expõe um barrigão e faz uma performance inteira cultuando o que uma vez, num passado distante, antes desse câncer chamado patriarcado instaurar-se e deturpar nossas mentes, já havia sido considerado divino: o poder da mulher de gerar vida. Falar de uma artista tão completa e perfeccionista como a Beyoncé é difícil, pois cada um pode interpretar suas apresentações de uma forma diferente.


Com foco em Oxum, Orixá da fertilidade e do amor, Beyoncé pede por proteção, já que a deusa africana é também a protetora das gestantes. Ela que sofreu aborto espontâneo antes de conceber Blue Ivy, hoje encontra-se grávida de gêmeos e está partilhando dessa gratidão.


Ao mesmo tempo em que retrata uma ancestral divinizada africana, Beyoncé com adorno na cabeça lembra as santas católicas, fazendo referência a Nossa Senhora Aparecida, que em religiões afrodescendentes é representada por Oxum.

Enquanto os visuais exibem Beyoncé com uma auréola e mulheres se aproximam, é narrado “Sua mãe é uma mulher e mulheres como ela não podem ser contidas”, fazendo relação com os dizeres incontida e devoção no vestido dela, mencionando que assim como a mãe Tina, Beyoncé também é devota e poderosa, capaz de reunir várias mulheres empoderadas, retratando a força e união do sexo feminino.

Ainda sobre o vestido, no centro da barriga há um medalhão com o retrato formado à semelhança de Beyoncé, acompanhada por dois querubins vestidos com uma planta trepadeira, chamada ivy, em inglês. Então, sim, basicamente é um retrato da família bordado na frente do vestido.

Além disso, Peter Dundas, o estilista, inspirou-se nas criações simbolistas do pintor austríaco Gustav Klimt e nos motivos art déco do francês Erté.

A santa ceia também foi retratada na performance, mas diferente de tudo que já vimos, ela foi composta integralmente por mulheres, trazendo a questão do feminismo à tona em mais um trabalho.

Portanto, concluímos que o sincretismo se faz presente nessa apresentação. É por essas e outras que Beyoncé é tão completa e considerada a mais influente da atualidade. Não trata-se apenas de uma apresentação, é A apresentação. E quanto mais a gente procura, mais a gente encontra. Ela consegue trabalhar a semiótica como ninguém mais.


Numa análise histórica, a mulher foi uma vez cultuada, sendo considerada imagem divina, até que surge o patriarcado e transforma a mulher em algo subjugado, bem como a gravidez uma fraqueza, algo a se envergonhar; prova disso é hoje em dia quererem pagar menos a uma mulher por ela engravidar, e por isso “produzir menos” ou ainda a ridícula lei que tramita no Congresso Nacional que proíbe a amamentação em público, em nome do pudor social.


Ignorando a cobrança por artistas padronizadas, hiperssexualizadas, que cativem o público com seu rebolado (o que ela faz e muito bem), Beyoncé simplesmente cantou e mostrou o quão dona do seu corpo e de si mesma ela é. Sem vergonha por ter um barrigão, sem pudor de suas novas curvas, Beyoncé pisa naquilo que o machismo, principal ferramenta do sistema patriarcal, vem construindo nos últimos milênios.


Pois é, por descuido ou menosprezo do sistema opressor, permitiu-se que uma das maiores artistas de nossa geração fosse uma mulher negra. Agora, a principal consequência disso será sentida pela estrutura: o empoderamento das massas! Bom saber que temos na praça artistas que, além de nos entreter, problematizam e trazem ensinamentos para as novas gerações. Que mais pessoas se abram para esse novo evangelho. Amém, santa Beyoncé!

Esse texto teve colaboração de Ian Melo e Taís Santos.

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