No último show da Formation World Tour, dia 7 de julho, em Glasglow, Beyoncé pediu um momento de silêncio em homenagem às vitimas de brutalidade policial nos Estados Unidos, enquanto nomes de diversos negros assassinados eram exibidos em um alto monólito de 60 pés.


A música escolhida para honrá-los não foi aleatória: “Freedom” é uma canção que aborda questões raciais explicitamente (leia a tradução aqui). Os fãs que presenciaram esse ato comovente em prol do movimento #BlackLivesMatter relataram que Beyoncé estava em lágrimas.

Em outro momento do show, ela agradeceu; “Quero dizer obrigada a vocês, pessoal, por cantarem comigo na chuva esta noite... até mesmo o céu chora,” fazendo referência ao luto pelas perdas recentes dos jovens Alton Sterling, de 37 anos, morto na porta de um supermercado, onde vendia CDs e Philand Castile (32), que perdeu a vida após ser parado em uma blitz no estado de Minessota.


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Mesmo após os lançamentos de “Independent Women”, “Bills, Bills, Bills”, “Run the World (Girls)”, “***Flawless”, “Freedom” e “Formation”, as pessoas insistem em dizer que Beyoncé só começou a “lutar” pelos negros ou “virou” feminista porque viu uma ótima oportunidade de ganhar dinheiro, como se ela só fosse alcançar um sucesso de vendas se lançasse um álbum falando sobre namoros frustrados, por exemplo.


Ocupar o lugar que ela se encontra hoje mudou a imagem de incapacidade que muitos brancos tinham em relação aos negros. Beyoncé já figurou por diversas vezes em capas de revistas consagradas como a artista mais importante ou influente no mundo.


Colocar a carreira em jogo, lançar músicas e videoclipes que denunciam a violência policial contra a comunidade negra e periférica não é para qualquer artista. É preciso estar seguro de si para enfrentar os conservadores que insistem em dizer que não há movimentos separatistas. A apresentação no Super Bowl caiu como uma verdadeira bomba na polícia estadunidense.


Promover qualquer ação que prejudique o próximo é mais fácil através do computador. Depois do recorde de três pessoas que foram no protesto contra a postura de Beyoncé no Super Bowl, os críticos de plantão se sentiram mais fortes na internet.


Beyoncé foi acusada de promover ódio e racismo, de trabalho escravo com a linha de roupas Ivy Park, de ser submissa ao marido depois de descobrir uma traição, sem contar as “brincadeirinhas” em portais de notícias, onde a acusam de manter a cantora Sia num cativeiro ou viver de processo para embranquecer a pele.


Tudo isso levando em conta que ela foi obrigada a ler nas manchetes de tabloides sensacionalistas que o casamento dela estava por um fio ou que ela precisava pentear o cabelo da filha dela, porque cabelo crespo é preciso deixar amarrado ou algo do gênero.


A luta da Beyoncé e de tantos outros artistas é muito mais que questões fúteis ou fofocas sem fundamento: é importante denunciar a situação sob as quais está submetida a comunidade negra, que sofre de racismo estrutural todos os dias devido à cor de sua pele, o que se reflete na morte de negros diariamente, não só nos Estados Unidos, mas também no Brasil, como pôde ser verificado na morte de Philando Castile, quando sua mulher transmitiu ao vivo pelo celular a morte do namorado, que levou quatro tiros numa abordagem da polícia. (TW) | aviso de gatilho

Diamond Reynolds viu o namorado agonizar do lado dela. Ela disse que eles foram parados por causa de um problema na luz traseira do carro. Nos Estados Unidos, quem é negro corre três vezes mais risco de ser morto pela polícia do que quem é branco.


Na Louisiana, um homem negro também foi morto pela polícia: Alton Sterling estava imobilizado no chão por dois policiais brancos quando um deles atirou várias vezes.

Depois de tudo isso, em uma semana, as pessoas ainda insistem em julgar os artistas, chamando-s de oportunistas ou falsos ativistas, mas não levantam do sofá para fazer com que o mundo seja tolerante e com pessoas mais solícitas.


É mais fácil julgar do que ajudar.

Nossa realidade aqui no Brasil é ainda pior. No Rio de Janeiro, por exemplo, a polícia mata três vezes mais que a americana. Segundo estudo da organização internacional de direitos humanos, Human Rights Watch, no ano passado, policiais do Rio mataram 645 pessoas, um quinto do total de mortes no estado. O levantamento classificou a polícia do Rio como uma das mais violentas do mundo.


A pergunta que fica é: cadê nossos artistas lutando por um país melhor? Será que eles não têm tamanha visibilidade como a Beyoncé para protestar? Será que eles dependem de uma elite branca para trabalhar, fazer shows, se sustentarem através de uma gravadora? Está na hora da gente colocar a cabeça para pensar e parar de julgar o próximo que tenta te oferecer um mundo melhor. Vamos à luta, pois sozinho ninguém alcança a vitória.

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Se Beyoncé já era foda, agora, depois do #Lemonade, só firmou sua relevância no mundo.


Após a apresentação no Super Bowl 50, em poucos minutos ela conseguiu criticar e tornar público para o mundo a violência policial contra os negros, a discriminação da mulher e ausência dela como protagonista. Ela assumiu um discurso político e deu um novo significado à sua carreira.

Os conservadores americanos julgaram a proposta de criticar a polícia como imoral e que tal posição da cantora, poderia acarretar uma retaliação. Um mês depois, #Lemonade lançado exclusivamente no Tidal, passou a ser tratado como um trabalho de arte. Beyoncé é cantora, mas não foi a música propriamente dita que ela colocou à venda.


Antigamente Beyoncé tinha que investir em single, preparar uma grande divulgação para que no final, o campo estivesse preparado para receber seu trabalho completo e vencer por 7x1. Beyoncé entra em campo já sabendo que vai vencer, fazendo com que as pessoas enxerguem seu trabalho de outra forma. Ela não precisa de hit, ela é o hit.


Ela conseguiu adaptar sua história explorando a vida de milhares de mulheres negras. Não é um álbum distante da gente. Pegando todos os processos do álbum visual, padrão de beleza, por exemplo, o cabelo liso; passamos a ser representados com nossos cabelos afros, induzidos a usar química desde criança para deixar o cabelo “bom” de acordo com a sociedade comandada por brancos pensa.


Em #Lemonade, suas referências vão desde Billie Holliday, Nina Simone e Malcom X, às mães de jovens como Trayvon Martin e Michael Brown, assassinados pela polícia estadunidense em Ferguson.

A descrição do álbum no Tidal é: um projeto conceitual baseado na jornada de autoconhecimento e cura de todas as mulheres. A interpretação mais coerente é aquela em que, mesmo com todos os problemas e obstáculos de sua vida, os limões que lhe foram servidos até aqui, Beyoncé teve a capacidade de obter algo positivo, algo que fosse bom e pudesse compartilhar com os outros.

Depois do lançamento, a internet foi tomada por comentários a favor e contra o álbum. Queen B realmente foi traída? Quem é a Becky? Ela sofre preconceito sendo a cantora mais bem paga e influente no mundo de acordo com a revista TIME? Por que só agora esse posicionamento?


Engana-se você ao achar que ela só tenha bordado esse tema agora. Se você pensa dessa forma, certamente não é fã e não conhece nem 10% do trabalho dela como mulher, cantora, empresária, mãe.


Ninguém quer ouvir e sentir as dores dos outros, ainda mais quando é sobre racismo. Cadê o espaço para o artista divulgar/denunciar o que passa todos os dias? Um exemplo bem claro disso é a cantora Ludmilla, a jornalista Maria Júlia Coutinho (Maju), as atrizes Sheron Menezzes e Taís Araújo que sofrem ataques nas mídias sociais simplesmente por serem negras.


Beyoncé não se aproxima da gente pela classe, mas sim pela raça. Por mais que seja rica, ela é tão humana quanto a gente. Aqui no Brasil, ainda mais na periferia, já acordamos com medo, pois saímos de casa logo pela manhã para estudar ou trabalhar, com a possibilidade de não voltar vivo.


#Lemonade se firma uma importante peça de representatividade para os negros. As reflexões que o álbum traz, bate de frente com tudo o que a gente vive. É uma discussão tão importante que é tema de debates e cursos em universidades dos Estados Unidos.


A traição que Beyoncé sofre e tantas outras mulheres, não têm seu marido Jay-Z como protagonista. O desleal nessa história, são os homens que tomam poder e ditam regras no mundo. Mas Queen B veio para dizer: garotas, quero ser o referencial, confiem e mim e vamos para a guerra. Vamos buscar informação!

Com um álbum que ultrapassa o tradicional R&B e passeia por rock, reggae e country, Beyoncé quer que sua mensagem seja ouvida. Sabemos que ela está inserida em uma lógica capitalista, mas isso não invalida seu discurso. Por muito tempo, a mídia e os fãs a trataram como se ela não fosse negra. Essa afirmação dela como negra e o enfoque no tema, fazem com que as pessoas reflitam.


Temos a liberdade dentro de nós. Somos livres teoricamente. Beyoncé luta pela vida, mesmo a polícia, os políticos conservadores ou os burgueses brancos querendo boicotá-la. E não vai ser você, nem ninguém que irá calar a voz da artista mais influente do planeta.


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